Qual a transmissão mais elogiada na Copa?

A Copa do Mundo de 2026 está sendo disputada dentro e fora das quatro linhas. Nesta edição, ganha força um ambiente altamente fragmentado, no qual TV aberta, TV paga e plataformas digitais competem pela atenção do torcedor.

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Do campo para a tela: o que os brasileiros falam sobre as transmissões da Copa?


Introdução

A Copa do Mundo de 2026 está sendo disputada dentro e fora das quatro linhas. Nesta edição, ganha força um ambiente altamente fragmentado, no qual TV aberta, TV paga e plataformas digitais competem em condições mais equilibradas pela atenção do torcedor.

O que antes era praticamente território exclusivo da TV aberta se transformou em uma disputa entre diferentes propostas de experiência. De um lado, a tradição e a estrutura da Globo. De outro, a nostalgia e o retorno do SBT ao principal evento esportivo do planeta. E, como principal novidade, a consolidação da CazéTV como uma plataforma capaz de rivalizar com emissoras históricas na preferência do público.

Para entender como essa disputa está sendo percebida pelos brasileiros, nós analisamos milhares de conversas online sobre as transmissões da Copa. O resultado mostra que a audiência já não escolhe apenas onde assistir a um jogo: ela escolhe qual experiência deseja consumir.

Principais insights

✦ Os usuários percebem as transmissões on-line como um fenômeno cultural acessível: a percepção sobre elas é o maior tema do debate, com 31% do total. Dentro deste assunto, a CazéTV domina o lado positivo: “transmitir todos os jogos de graça” representa 50% do assunto, enquanto “o crescimento da CazéTV me surpreendeu” soma 25% do assunto;

✦ O delay é a maior dor funcional da CazéTV nos jogos do Brasil, mas nem tanto nos outros jogos da Copa: o tema “delay” responde a 21% do total e, dentro do assunto, “CazéTV tem muito delay” concentra 52% das menções. Ainda assim, há uma tolerância parcial: “o delay da CazéTV não incomoda fora dos jogos do Brasil” representa 29% do assunto;

Galvão sozinho tem mais força que todas as equipes de narração somadas: dentro das conversas on-line sobre narradores (20% do total), ele concentra 51% dos comentários sobre o assunto e 62% dos elogios, enquanto todas as demais equipes e narradores juntos (inclusive do SBT) representam 49% do assunto e 38% dos elogios. Os dados evidenciam uma liderança absoluta e uma conexão com o público avassaladora;

✦ Comentaristas polarizam mais do que narradores: os comentaristas representam 19% do total. Dentro do assunto, a principal tensão é Romário na CazéTV, que concentra 40% das menções sobre comentaristas e 62% das críticas do tema. Ao mesmo tempo, “gosto dos comentaristas da CazéTV” representa 24% do assunto e 68% dos elogios, mostrando alta força, mas baixa aceitação com o baixinho, principalmente por seu mandato de senador.

✦ Qualidade técnica aparece menos, mas revela expectativas claras: representando 7% do total, as principais críticas são “Globo transmite poucos jogos” e “SBT transmite poucos jogos”, cada uma com 22% do assunto, enquanto a CazéTV aparece positivamente associada a 4K e boa imagem (9% do assunto).

Onde está a torcida?


Gráfico 1: Principais sentimentos sobre as emissoras
(passe o mouse para interagir)



Antes do início da Copa, pesquisas de intenção de audiência apontavam a Globo como principal destino dos torcedores, seguida por uma disputa equilibrada entre SBT e CazéTV (Meio & Mensagem, junho de 2026).

A realidade observada nos primeiros jogos mostrou um cenário diferente: a fragmentação prevista aconteceu, mas a força da CazéTV foi significativamente maior do que indicavam os levantamentos iniciais (RD1, audiência da primeira semana da Copa de 2026).

Nas conversas online, a Globo lidera menções, concentrando 45% de todas as conversas sobre transmissões da Copa. SBT (28%) e CazéTV (23%) aparecem em seguida, enquanto o SporTV responde por 4% do debate. O dado mostra que a Globo continua sendo a principal referência do mercado quando o assunto é transmissão esportiva, permanecendo no centro das discussões dos torcedores.

Entretanto, quando observamos a audiência declarada, o cenário se inverte. Nas menções espontâneas sobre onde os brasileiros estão assistindo aos jogos, a CazéTV lidera com 52%, seguida por SBT (32%), Globo (15%) e SporTV (1%). O resultado sugere que, embora a Globo permaneça dominante na conversa, a plataforma digital se tornou o principal destino mencionado pelos torcedores para acompanhar a competição.

O cenário revela que cada player ocupa, hoje, um território bastante definido na mente do consumidor.

Os dados de audiência reforçam que essa mudança não representa uma substituição da televisão tradicional, mas uma ampliação das opções de consumo. Na estreia do Brasil, a CazéTV registrou aproximadamente 12 milhões de espectadores simultâneos, o maior resultado de sua história, enquanto Globo e SBT também alcançaram recordes de audiência com a partida. Os números mostram que o crescimento do digital acontece em um contexto de expansão do interesse do público, e não necessariamente à custa dos veículos tradicionais.

A análise combinada dos três indicadores revela um mercado mais complexo do que em Copas anteriores. A Globo continua liderando o debate público, a CazéTV se consolida como principal escolha declarada dos torcedores e o SBT ocupa uma posição intermediária, transformando a força de nomes como Galvão Bueno em relevância tanto nas conversas quanto na audiência. Mais do que uma disputa por espectadores, a Copa de 2026 evidencia a coexistência de diferentes modelos de transmissão, cada um ocupando um papel específico na jornada do torcedor.

Principais focos de conversa


Gráfico 2: Principais assuntos por sentimento
(passe o mouse e clique para interagir)


Posicionamento de marca importa e o que é novo ganha reconhecimento

O principal tema da conversa não é narrador, comentarista ou qualidade técnica. É a própria percepção das emissoras.

O assunto representa 31% de todas as menções analisadas e possui saldo amplamente positivo (76%). A CazéTV domina esse debate graças à transmissão gratuita de todos os jogos e ao reconhecimento de seu crescimento durante a Copa. Ao mesmo tempo, a Globo concentra críticas ligadas ao posicionamento institucional da marca, mostrando que fatores reputacionais continuam influenciando a escolha do público. Mais do que uma disputa de transmissão, a Copa se tornou uma disputa de posicionamento.


O delay virou a principal fragilidade do streaming

Nenhum tema gera mais atrito para a CazéTV do que o atraso da transmissão.

O delay responde por 21% das conversas e apresenta o segundo pior saldo de sentimento entre todos os assuntos analisados. A principal reclamação é a antecipação de lances por notificações, redes sociais, vizinhos e grupos de mensagens.

O comportamento revela uma dinâmica interessante: para jogos comuns, a maior parte da audiência aceita o atraso. Nos jogos da Seleção, porém, a tolerância praticamente desaparece e o SBT ganha favoritismo principalmente por seus narradores.

Nesse contexto, Globo e SBT se beneficiam diretamente da percepção de menor latência, transformando um atributo técnico em diferencial competitivo.


Narradores seguem decidindo audiência

Os narradores representam 20% das conversas e possuem um dos maiores índices de aprovação do estudo, somando 82% com sentimento positivo.

O destaque absoluto é Galvão Bueno. Sozinho, ele concentra mais da metade das menções sobre narradores e se consolida como principal ativo de atração do SBT durante a Copa.

A análise mostra que, mesmo em um ambiente de plataformas, tecnologia e múltiplas telas, a conexão emocional continua sendo um dos fatores mais relevantes para a escolha de uma transmissão.


Comentaristas dividem opiniões

Se os narradores unem, os comentaristas polarizam.

O tema representa 19% das conversas e possui saldo predominantemente negativo (65%). A maior parte das críticas está associada à equipe da CazéTV, com foco em Romário, que tem sua participação contestada principalmente devido a seu mandato de Senador em atividade), e à percepção de excesso de informalidade em alguns momentos da cobertura.

Ao mesmo tempo, a própria CazéTV também concentra boa parte das menções positivas do assunto, evidenciando que a emissora encontrou uma linguagem capaz de gerar forte engajamento, ainda que nem sempre consensual.

O debate sugere que o público aceita entretenimento, mas continua esperando profundidade e análise técnica quando a bola rola.


Qualidade técnica deixou de ser diferencial e virou obrigação

A qualidade técnica representa 7% das conversas e ajuda a explicar como cada emissora ocupa um espaço diferente na disputa pela audiência. A Globo é associada à transmissão mais estável e ao menor delay. O SBT é percebido como uma alternativa simples e eficiente para acompanhar os jogos da Seleção. A CazéTV se destaca pela qualidade de imagem, transmissões em 4K e pela oferta de todos os jogos da Copa. Já o SporTV aparece ligado a uma experiência mais premium, com foco em qualidade técnica e cobertura especializada.

As principais críticas não estão relacionadas à imagem ou ao áudio, mas à cobertura. Parte dos espectadores demonstra frustração com a quantidade limitada de jogos disponíveis na Globo e no SBT, enquanto usuários da CazéTV pedem maior disponibilidade internacional das transmissões.

O debate mostra que, para o torcedor, qualidade técnica deixou de ser apenas uma questão de imagem. Hoje, ela também passa por acesso, disponibilidade e capacidade de acompanhar os jogos que deseja assistir.

Considerações finais

A Copa de 2026 marca uma mudança estrutural no consumo esportivo brasileiro.

A liderança da audiência declarada da CazéTV mostra que o digital deixou de ser uma alternativa para se tornar um destino principal. Ao mesmo tempo, os recordes de Globo e SBT demonstram que a televisão tradicional continua extremamente relevante quando consegue oferecer diferenciais claros.

O que muda é a lógica da escolha. A Globo vence pela tradição e pela qualidade técnica. O SBT cresce pela emoção e pela nostalgia. A CazéTV lidera pela acessibilidade e pela conveniência.

Mais do que uma disputa de audiência, a Copa está mostrando que o brasileiro já não procura apenas um lugar para assistir ao jogo. Ele procura uma experiência que combine com a forma como deseja viver o futebol. E, cada vez mais, existem opções suficientes para que cada torcedor encontre a sua.

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